18 ANOS DA COMPANHIA ÁGATA

Companhia de Teatro celebra 18 anos de existência relançando clássico de Calderon de La Barca .

“ Produzir teatro sempre será um ato de amor e heroísmo” . Essas e outras afirmações foram dadas pelo diretor de Teatro e Fundador da Companhia Àgata de Artes que celebra 18 anos de atividades desistindo de trabalho autoral inédito, relançando clássico já produzido em 2.012 .
Segue a íntegra da entrevista do nosso portal com o fértil diretor .

OCIMAR FREITAS – A ideia original seria comemorar os dezoitos anos do Àgata com um trabalho inédito . Por que a relançar “ A Vida é Sonho “ se já foi produzido em 2.012 ?
SILVIO TADEU – Sobre o trabalho inédito ,creio que o elenco não se adaptou ao ritmo de descoberta de texto e mensagem . Iríamos discutir os limites humanos diante da tecnologia e os grandes personagens que são ícones, que trouxeram novas tendências,como Chacrinha e Assis Chateaubriand . Estávamos ansiosos em mandar uma mensagem realmente atual, não recorrer mais aos textos teatrais já tão conhecidos . Como a fórmula não estava funcionando decidimos não lançar o trabalho . Quando não existe verdade melhor não fazer . “ A Vida é Sonho “ de La Barca, traz uma mensagem importante e também urgente ao homem de hoje. O combate a ilusão do poder e da vaidade tão presente nas redes sociais de hoje . Todos são poderosos, perfeitos…mas toda vida é sonho. E os sonhos, sonhos são .

OCIMAR FREITAS – O elenco não se adaptou ?
SILVIO TADEU – Achávamos que pelo fato do Àgata fazer 18 anos tínhamos de caminhar com as próprias pernas, largar a mão confortável dos dramaturgos já conhecidos mas na verdade o grupo veio de duas experiências muito fortes . “ O Cortiço “ em 2018 e “ Drácula “ em 2.019 . A intensidade dos dois trabalho, bem como a resposta do público ficaram registradas nos dois elencos. Para continuarmos com o “ Tecnologia – O Show “, esse era o nome do trabalho, seria necessário um desnudamento de tudo que fizemos para encontrarmos uma nova fórmula. Eu como diretor estava inquieto. Tinha recebido um convite para dirigir “ O Doente Imaginário “ , mas puxa…tanta gente já tinha montado …precisava de algo novo. Realmente novo . Eu estava disposto e me pondo em risco, bem como os assistentes que escolhi, a Ju Camata e o velho amigo e parceiro Edimar Castro . mas não era o momento do elenco e talvez não era momento também deste trabalho acontecer .

OCIMAR FREITAS – E quando será o momento desta inovação ?
SILVIO TADEU -O tempo dirá. “ Drácula “ foi abortado em 2.013 e só aconteceu em 2.019.

OCIMAR FREITAS – O que significa para você e para o elenco esses dezoitos anos de atividades ?
SILVIO TADEU – Para mim a eterna confirmação que produzir teatro sempre será um ato de amor e heroísmo. Para o elenco não sei …nem todos estão a tanto tempo na casa . Do núcleo fundador somente o ator Milton Ostronoff ainda participa ativamente, e o Henrique Possetti que veio depois mas participa desde 2.003 acho . Aí vem a Ju Camata,desde 2.009, mas enfim . Se você tem uma equipe que veste a camisa e não sai da casa é um bom sinal. Temos isso . então acho que é importante para eles ainda estar no Àgata . Teatro é importante primeiro para quem faz. Para quem assiste, tudo se desfaz depois que as cortinas se fecham e você leva a estória para casa, como posse de suas lembranças. Um dia ela vem a tona aquela ideia. Aquela mensagem.

OCIMAR FREITAS – Você passou por um processo doloroso recentemente . A inspiração ficou abalada ?
SILVIO TADEU – Sim, perdi minha mãe em dezembro do ano passado. Mas o abortar o trabalho não teve nada a ver com esse processo particular. Ao contrário, é tanta dor que tinha de expurgar. Essa dor vai virar arte .

OCIMAR FREITAS – Uma peça de teatro ?
SILVIO TADEU – Não, propriamente . Vou fazer um show em homenagem a minha mãe dia 10/05, Dia das Mães, com o cantor Paulo Borges, o músico e maestro Gilvan Santos. Eu vou defender alguns textos no palco com eles. O repertório que eles irão apresentar terá algumas músicas que ela não cansava de ouvir, músicas de Nelson Gonçalves, Francisco Petrônio, Roberto Carlos . Será uma homenagem a minha mãe e estarei defendendo uma causa social também, a dos idosos. Pedi ao ator e amigo Eduardo Silva ver isso pra mim .

OCIMAR FREITAS – Falemos da remontagem de “ A Vida é Sonho “ . Mesmo elenco ?
SILVIO TADEU – Do elenco original estão Milton Ostronoff, Henrique Possetti e Francisco Alves. Entram Caio Pimenta, Edivaldo Gomes, Ju Camata , José Luis Gaeta e uma atriz da nova geração do teatro, Roberta Lisa. A primeira produção tinha toda uma estética oriental e um preparo da arte oriental Shin-Tai-Do aplicada pelo Ruben Spinozza. Essa montagem terá como foco o próprio texto. A importância desta mensagem ao homem atual, dominado pelo avatar que ele cria e se torna escravo nas redes sociais . Todo o elenco se mostrou bem a vontade na leitura e nos primeiros ensaios .

OCIMAR FREITAS – Está vindo um infantil por aí ?
SILVIO TADEU – Sim. O texto está 80% escrito, elenco selecionado praticamente. Resisti escrever e produzir para crianças por que não queria cair na moda do “ todo mundo está fazendo” . Queria ter algo a falar para as crianças, então recriei um conto de fadas .

OCIMAR FREITAS – Qual ?
SILVIO TADEU – Surpresa .

OCIMAR FREITAS – Falando em surpresa, o “ ator “ Silvio Tadeu vai das as caras no infantil ?
SILVIO TADEU – Vou nada . Já fiz minha opção, dirigir e produzir . A maré não está pra peixe e o mar não está para artistas. O cenário político atual é totalmente oposto a arte mais ousada, engajada. E quem produz hoje em dia, ergue uma trincheira nesta guerra. Como diz o poeta Pedro Luís, quem resiste faz a raça evoluir.


Silvio Tadeu
Diretor e Produtor

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