Mês Mundial da Conscientização do Autismo: inclusão do autista no mercado de trabalho

O momento de receber a notícia do diagnóstico de TEA (Transtorno do Espectro Autista) já é um grande impacto vivido pelas famílias. As principais dúvidas começam a vir à mente: como será que a criança vai lidar com as questões sociais, de relacionamentos, aprendizado, estudos, trabalho? São questionamentos que permeiam a mente dos pais e normalmente são os mais perguntados em consultórios médicos e para os profissionais psicólogos durante o primeiro contato com o tratamento.

A questão do trabalho é um dos principais anseios, uma vez que a independência do filho e a continuidade da vida adulta com qualidade é uma das principais apreensões das famílias. E o fato é que quanto maior a independência e repertório comportamental, melhor tende a ser o desempenho e sucesso profissional do indivíduo com TEA.

Estima-se que 1% da população mundial esteja enquadrada no espectro autista, segundo dados dos Centros para o Controle e a Prevenção de Doenças do Governo dos Estados Unidos. 1 em cada 59 crianças tem diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Marina Ramos (Analista do Comportamento Aplicada ao Autismo do Grupo Conduzir) comenta que pacientes com TEA que passam por tratamento e desejam ser inseridos no mercado de trabalho, encontram um caminho desafiador, mas cheio de conquistas e descobertas:

“Recebemos devolutivas muito animadoras de empresas que contratam pacientes que estão em acompanhamento comportamental. É muito comum o empregador dizer que esses funcionários possuem facilidade em cumprir regras e rotinas, são concentrados e conseguem desenvolver muito bem suas funções. Quando esse paciente chega para iniciar o tratamento, o profissional deve entender quais repertórios comportamentais esse indivíduo apresenta mais dificuldades, e entender quais são suas expectativas para que possa ser direcionado a uma vaga de emprego adequada. Normalmente o indivíduo já possui algumas habilidades necessárias, porém as queixas sempre giram em torno da interação social e dificuldades de se adaptar ao contexto.”

Primeiramente, o tratamento tem como objetivo desenvolver as habilidades deficitárias em um ambiente mais clínico e controlado. Posteriormente, esse repertório deve ser generalizado para ambiente natural, através do acompanhamento terapêutico. O paciente é acompanhado em ambientes sociais que frequenta, dentre eles o trabalho, para futuramente conseguir ser inserido no contexto social desejado de forma independente. Assim também auxiliamos em inúmeras outras atividades, tais como: tirar carta de motorista, inscrição em universidades ou qualquer desenvolvimento de repertório que ele necessite”, conclui Marina.

Tratamento para inclusão do autista no mercado de trabalho

O tratamento para o autismo é realizado por um psicólogo especializado, através da abordagem ABA (Applied Behavior Analysis), uma Ciência aplicada do comportamento, única indicada pela OMS (Organização Mundial da Saúde), e de preferência desde a infância do paciente.

A Análise do Comportamento é uma ciência que pode ser aplicada para modificar, melhorar, ensinar, ampliar qualquer comportamento. Desde ensinar uma criança a apontar, ir ao banheiro, até “paquerar”, falar com a namorada e ser inserido no mercado de trabalho. São pequenas sutilezas e regras de convenções sociais que não são entendidas de forma natural para esses indivíduos, mas podem ser ensinadas através de um treino específico.

A Analista do Comportamento Aplicada ao Autismo do Grupo Conduzir, Masrina Ramos, comenta que o trabalho é uma das formas que marcam a presença do ser humano no mundo, trazendo dignidade e significância social. A ida para o mercado de trabalho para o autista deve ser sempre encorajada, e as empresas precisam estar preparadas para receber e incluir esses indivíduos. E o preparo do autista deve iniciar muitos anos antes da inserção em si no mercado de trabalho:

“Durante a intervenção em ABA vamos preparando o indivíduo desde a adolescência, traçando metas e repertórios necessários para a área de interesse que apresenta. É importante colocar que essas habilidades vão desde a ‘simples’ capacidade de fazer contato visual adequado e saber conversar sobre determinado assunto, desde habilidades mais específicas que serão desenvolvidas para cada cargo profissional.”

A Análise do Comportamento possui intervenções capazes de ensinar repertórios para o estabelecimento de relações sociais adequadas e de oferecer uma melhor qualidade de vida a esses indivíduos, para ajudá-los com suas interações sociais (seja para conviver melhor com seu cônjuge, colegas de trabalho, família ou encontrar um parceiro romântico ou amigos), ou ainda para se organizar e gerir o seu tempo.

Marina Ramos também ressalta um ponto bastante relevante:

“É importante lembrar que, sim, existem muitos casos de sucesso para inserção do autista no mercado de trabalho, mas sempre mais evidente em indivíduos com TEA de alto funcionamento, que correspondem a uma porcentagem mínima dessa população. O que devemos trabalhar é para que não só esse perfil tenha espaço no mercado de trabalho, mas como também aqueles que necessitam de mais acompanhamento e tem um grau maior de comprometimento.”

Conheça a história de Diego – um autista no mercado de trabalho

Diego Ferreira, 35 anos, é Consultor Júnior de TI e diagnosticado como autista de alto funcionamento. Durante tratamento especializado com a neuropsicóloga, Diego foi em busca de emprego, e então escolhido para participar do processo seletivo de um grande banco nacional:

“Confesso que bateu um pouco de nervosismo ao observar aquela sala cheia de avaliadores, mas pelo feedback passado, percebi que fui objetivo nas respostas e ninguém percebeu meu nervosismo no momento. Depois desse processo, fui comunicado de minha aprovação. Fiquei super feliz com a notícia. Esperei quase um mês para ser chamado na unidade do banco e aproveitei este tempo para estudar mais sobre as tecnologias, para poder ajudar da melhor forma possível.”

Assim que começou a trabalhar, Diego já se sentiu bem recebido e acolhido pelos colegas de trabalho:

“Todos da equipe foram super atenciosos comigo e me apresentaram todo o ambiente de trabalho. Achei o pessoal da equipe alto astral e fiquei muito à vontade de conversar com todos eles. É uma satisfação enorme fazer parte disso tudo. Os superiores estão bem satisfeitos e tem me agradecido muito por toda ajuda nas atividades. Sinto-me muito realizado por estar somando na equipe e pela oportunidade incrível em trabalhar em uma empresa de grande porte”, ressalta Diego.

Diego também comenta que durante o tratamento especializado com a neuropsicóloga foi possível entender melhor sobre as limitações que possuía, e aos poucos foi desenvolvendo mais confiança nas próprias habilidades:

“A minha grande dificuldade é de manter os relacionamentos sociais com a mesma sintonia da apresentação inicial. Procuro sempre fazer algumas pausas no horário de trabalho e aproveito essa pausa para interagir com a equipe. Além disso, policio-me muito em relação ao hiper foco que tenho, pois, caso ele seja usado exageradamente, faz com que eu tenha um comportamento introvertido, e assim termino me afastando das pessoas.”

Diego finaliza dizendo que o apoio de todos à volta é imprescindível para ganhar mais confiança:

“Com esse suporte que recebo, ganhei mais confiança em mim e acabo conhecendo mais meus pontos fortes e limitações. Com o tratamento, também tive a oportunidade de conhecer colegas autistas que tinham características parecidas, e algumas também bem diferentes das minhas. Essa troca de experiências entre os colegas me ajudou a entender mais sobre a amplitude do autismo e enxergar que não estava sozinho nessa causa.”

Inclusão que gera resultados

As pessoas com autismo inseridas no mercado de trabalho saem de uma situação de exclusão para uma situação de trabalho, de respeito e de dignidade. É primordial que as empresas tenham em seus valores o respeito e valorização à diversidade. Em relação ao autismo, é importante conhecer tanto os aspectos gerais, como características específicas de cada indivíduo, em suas particularidades e necessidades de apoios para uma inclusão com qualidade. Isso tem feito muito a diferença para empresas que abraçam essa causa, apoiam e incluem profissionais que possuem habilidades diferenciadas como essas. E na prática, não é apenas inclusão, mas também, resultados excelentes para os negócios e melhorias no ambiente de trabalho.
SERVIÇO

Clínica de Campinas realiza palestra aberta ao público e Campanha de triagem gratuita para crianças com suspeita ou diagnóstico de TEA

Em comemoração ao Mês Mundial de Conscientização do Autismo, o Grupo Conduzir em parceria com o Instituto de Pesquisa Conduzir, realizará nos dias 27 e 28 de Abril, no Swiss Park Office, em Campinas, a “Campanha de Triagem Gratuita para crianças com suspeita ou diagnóstico de TEA”. O evento ocorrerá na própria sede do Grupo Conduzir e contará com o atendimento multiprofissional.

Estarão presentes médicos para opinar na parte de diagnóstico e medicação, analistas do comportamento para realizar uma breve avaliação de repertórios básicos, uma fonoaudióloga e um jurista para informar os pais a respeito dos direitos dos filhos.

Além do atendimento individualizado, que dependerá de inscrições e triagem através do site da clínica, a Campanha contará com uma palestra gratuita aberta ao público, com a presença de psicólogos, analistas do comportamento, médico e depoimento de mãe que conta na prática histórias sobre o tratamento do filho autista. O tema da palestra será: “Inserção do autista no mercado de trabalho.”

A ideia é instrumentalizar famílias que não tem condições de pagar esses profissionais para que consigam iniciar um acolhimento e entendimento do que é possível para seus filhos.

DATAS: 27 e 28 de Abril

Programação:

Dia 27/04

8h às 11h – Palestra aberta ao público (sujeita à lotação da sala): “Inserção do autista no mercado de trabalho.”

Local: Swiss Park Office – Av. Antonio Artioli, n° 570 – auditório Edifício Zug. Campinas/SP

Inscrições pelo site: www.grupoconduzir.com.br/

Dia 27/04

13h às 17h – Campanha de triagem gratuita

Dia 28/04

8h às 17h – Campanha de triagem gratuita

Inscrições pelo site: www.grupoconduzir.com.br/

Campanha de triagem gratuita – as famílias selecionadas após inscrição no site (por renda e acesso a planos de saúde) vão ser informadas sobre o local da triagem. Vagas limitadas por capacidade de atendimento.

CONTATOS PARA ENTREVISTAS

A Get Comunicações disponibiliza para a imprensa os seguintes contatos:

– Renata Michel (especialista em Neuropsicologia e Analista do Comportamento Aplicada ao Autismo do Grupo Conduzir)

– Marina Ramos (Psicóloga, Analista do Comportamento, Consultora e Supervisora ABA do Grupo Conduzir)

– Personagem autista – Diego Ferreira

– Indicações de outros personagens autistas: 1 – mãe de crianças autista (já incluiu o filho em tratamento pensando na futura inclusão mercado de trabalho), 2 – adolescente autista (está na fase de escolhas de curso/faculdade para futura profissão), 3 – estagiária mulher autista (já trabalha na área administrativa, tem pouco habilidade de fala, liberada para fazer imagens, e a mãe também pode ceder entrevista).

INFORMAÇÕES – GRUPO CONDUZIR

O Grupo Conduzir é formado por uma equipe especializada de profissionais que atua nas áreas da Psicologia, Terapia ABA, Pedagogia e Psicopedagogia, proporcionando um atendimento capaz de oferecer uma interface entre a área clínica e educacional.

Também contam com profissionais da área de Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional, proporcionando o atendimento multidisciplinar, sempre com a base e supervisão de um Analista do Comportamento, otimizando os resultados a serem atingidos.

O Grupo Conduzir também prioriza o conhecimento e disponibiliza cursos de formação básica e palestras que atingem todo tipo de público-alvo: pais, estudantes e profissionais da área da Saúde e Educação.

Para mais informações sobre o Grupo Conduzir, acesse: http://www.grupoconduzir.com.br/

Vídeo Grupo Conduzir:

Canal do Youtube Grupo Conduzir: https://www.youtube.com/channel/UCklyZPElwuL8TLPZBM7WIYA

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